O lado místico e oculto de Harry Potter


Todos nós sabemos que as histórias do Harry Potter são fantasias, uns acham infantis ou adolecentes, e não estão errados pois a autora J. K. Rowling focou nessa faixa etária, mas o que poucas pessoas sabem é que ela pegou os personagens e mostrou o amadurecimento na vida com fatos místicos ou ocultos, neste post escreverei sobre esta parte esotérica contida de uma forma sutil nos livros publicados.

O que será escrito aqui tirei como base em uma matéria da revista Sophia de 2003 da Sociedade Teosófica, e também um outro material que obtive quando estava no colégio conhecendo o idioma morto Latim.

As obras representam três gêneros literários. O primeiro é o bildungsroman ou romance de educação moral e psicológica, pois Harry vive num internato e se educa na grande escola da vida. O segundo é o gênero da busca, ou seja, enfrenta desafios e descobre um tesouro, que na verdade isso representa a revelação do próprio conhecimento. E o terceiro gênero é o conto de fadas, Harry é orfão e portanto um adequado representante de cada ser humano, pois segundo grandes instrutores teosóficos todos nós somos membro desta “pobre e orfã humanidade”.

A autora tem ampla familiaridade com mitos, lendas, magias e informações esotéricas com as quais ela construiu um mundo própio. Nas histórias há muitas polaridades: espirito-matéria, vida-forma, energia-massa, yin-yang, esotério-exotérico e a propria polaridade entre bruxos e trouxas (não bruxos). Os bruxos são mágicos pois podem voar com vassouras, teletransportar, mover objetos, que em contra ponto tem ou trouxas que são limitados, vulgares e carentes de imaginação. Os bruxos e os trouxas são duas classes que dificilmente se misturam e com frequência desentendem, na qual podemos fazer uma analogia que no mundo há dois tipos de pessoas, as que sabem e as que não sabem.

Uma polaridade importante na trama é entre bem e mal, a autora mostra esta polariade nos bruxos com os nomes Alvo Dumbledore e Voldemort, tendo em vista que o Dumbledore é “branco” relacionado ao bem, que no inglês dumb é estúpido, que ironicamente a sabedoria pode ser vista como estupidez por aqueles que não sabem, como o sábio bobo, além do mais dumble rima com humble que é humilde, e os verdadeiros sábios são os humildes, pois sabem o quanto não sabem nada, e dore é homófona de door portas, concluindo que Dumbledore é a porta que Harry se inicia no caminho do aprendizado e do serviço. E Voldemort é o arquétipo do mal, vol lembra o verbo alemão wollen que é querer e desejar e mort é a raiz latina para a morte.

O fundamental na série Harry Potter é o autoconhecimento onde a autora J. K. Rowling compartilha este tema com os grandes livros da humanidade, a iluminação, é num certo sentido, a habilidade para responder corretamente a pergunta “quem sou eu?”

Em Hogwarts Harry aprende diversas lições, que por mais que a história seja fantasiosa, as mensagens são reais. Segue algumas delas: Há um outro nível de experiências da mediocridade dos trouxas, somos todos orfãos no mundo e na escola da sabedoria  que vamos estudar o outro nível da realidade, instrutores sábios estão disponíveis para nos guiar, que com esses instrutores podemos aprender a ver a verdade, porém com prudência (“Harry: Há outras coisas que gostaria de saber, se você puder me contar, gostaria de saber a verdade…. Dumbledore: A verdade é uma coisa bela e terrível, e deve ser tratada com muito cuidado…” e quando Harry trata Voldemort como “você-sabe-quem” Dumbledore diz “Chame-o de Voldemort  Harry, use sempre o nome das coisas, o medo do nome aumenta o medo da própria coisa”). Além disso aprende Discernimento, devemos escolher nosso próprio caminho, esta lição diz respeito ao esforço de tentar distinguir o real do irreal, entre o menos bom e o melhor, entre o transitório e o eterno. Aprende o Desapego, o mundo é ilusório por isso devemos passar por ele sem desejos egoístas. Boa conduta, levar nossa vida com princípios corretos e não com leis arbitrárias, muitas vezes Harry passa por cima das regras da escola, mas nunca transgride os princípios morais. E aprende também o Amor, Dumbledore explica “Sua mãe morreu para salva-lo. Se há uma coisa que Voldemort não entende é o amor. Ele não compreende que um amor tão grande como o de sua mãe por você deixa a própria marca. Não é uma cicatriz ou um sinal visível, mas, por ter sido amado profundamente, mesmo que a pessoa que o tanto amou tenha morrido. Por isso Voldemort não pôde atingi-lo. Seria uma agonia tocar uma pessoa com a marca de algo tão bom.”

Algumas curiosidades com os nomes de feitiços, pessoas e outros personagens. O nome da professora de adivinhações é Sibila Trelawney não é por acaso essa escolha, pois o primeiro nome vem das famosas profetisas da mitologia, Sibilas. a expressão Aveda Kedavra tem origem em uma antiga língua chamada aramaico, a frase abbadda kedhabra quer dizer “desapareça com essa palavra” que era utilizada por feiticeiros antigos para fazer as doenças sumirem, embora não há relatos que era usado para matar alguém, essa frase tem a mesma origem da palavra mágica abracadabra. A cobra naja Nagini tem uma linhagem nobre e um importante papel na mitologia, Naga é uma palavra em sânscrito que quer dizer cobra e nagi é o feminino, a naja pelo Budismo e Hinduísmo é a raça de cobra semidivinas, dotadas de grandes poderes. Por que os nomes da família Malfoy combina tanto com eles? O nome da família vem do Latim  maleficus alguém que faz mal aos outros, na Idade Média a palavra era usada para referir aos bruxos, cujo os atos malvados eram também chamados de maleficia malefícios, em francês Mal Foi quer dizer “má-fé”, Draco tem duplo sentido no latim pode ser tanto dragão quanto serpente, ou seja, não é a toa que Draco Malfoy é da Sonserina, Lúcio Malfoy lembra o nome Lúcifer, um dos nomes do diabo e a mãe de Draco se chama Narcisa que no mito grego é um belo jovem chamado Narciso super vaidoso e por isso foi condenado por um deus a apaixonar-se por si mesmo.

Alguns nomes de magias utilizadas pelos bruxos nas histórias de Harry Potter:

  • Expecto Patronum: produz um patronus (um guardião), de expecto “expelir” e patronus “guardião” “protetor”.
  • Expelliarmus: desarma o oponente, de expello “expelir” “soltar” e arma “arma”.
  • Impedimenta: detém uma pessoa ou alguma coisa, de impedimentum “impedimento” “obstáculo”.
  • Obliviate: faz uma pessoas esquecer, de oblivio “esquecer”.
  • Prior Incantatem: revela o feitiço que foi executado imediatamente antes por uma varinha mágica, de prior “prévio” e incantatem “encantamento” “feitiço”.
  • Ruparo: conserta coisas, de reparare “consertar”
  • Rictusempra: cócegas, de rictus “uma risada” “sorriso”.

É por esses motivos místicos e o grande gosto pela leitura de fantasia que acompanho a saga completa de Harry em livro e em filme, espero que depois de terem lido isso, deixe de pensar que é somente infantil esse livro, pois os novos adultos e os adultos bem vividos também gostam de ler essa saga pois com certeza se identificam com algo. Não posso deixar de dizer que tanto Harry Potter, As Crônicas de Nárnia, os livros de jogos de RPG, e outras histórias de fantasia, tiram inspirações de J. R. R. Tolkien no livro “O senhor dos anéis” pois foi ele o criador do mundo e personagens da fantasia.

Paz a todos.

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6 responses to “O lado místico e oculto de Harry Potter

  • Gabriela

    gostei! parabéns pelo jeito que vc escreve

  • baroncelo

    Fico contente que tenha gostado, espero que leia meus posts anteriores e mantenha sua visita em meu blog!

    Obrigado por comentar!

  • Deborah

    Oi, tudo bem? Estava passando pelo seu blog e me surpreendi com esse post. Realmente, você escreve muito bem, parabéns, e o post é super interessante. Gosto muito de Harry Potter, mas não sou nenhuma fã nº1, por isso não tinha conhecimento desses pequenos detalhes, e confesso que adorei ficar um pouco mais por dentro desse Universo criado pela J. K. Rowling. Concordo com o que você citou no post, e também acho que no final, esses pequenos detalhes ajudam a fazer uma grande diferença. Rowling fez com que milhares de crianças crescessem junto com seus personagens, e isso mudou a vida de muitas delas. Não é para menos que os livros hoje são vistos como “a série de uma geração”, uma geração inteira de crianças e adolescentes que se maravilharam com as histórias de magia, bruxaria e fantasia, e acima de tudo, amizade, amor e coragem ensinadas nos livros. Rowling está de parabéns, conseguiu passar em seus livros coisas que muitos outros autores não conseguiram. E mais uma vez, acrescento em concordância: “… tiram inspirações de J. R. R. Tolkien no livro “O senhor dos anéis” pois foi ele o criador do mundo e personagens da fantasia.”

    Parabéns pelo blog, abraços.

  • Luan.

    Ótimo post! Não sou fã nº1 de HP, gostando ou não, nunca poderemos negar o impacto das obras de Rowling durante o desenvolvimento de vários jovens ( e porque não de muitos adultos …)
    Seus filmes, passaram de uma visão simplesmente infanto-juvenil, agradam hoje muito mais que adolescentes.

    Harry classificado no filme como órfão, na minha opinião é um fator decisivo dado tamo sucesso e grandiosidade. O que me chama mais atenção é como esse fator é explorado de modo intenso durante toda as obras e filmes. Sempre haverá identificação de certa maneira com Harry, pois afinal, como a Psicanálise já nos diz, todos temos em nossa constituição o desamparo !

  • jennifer

    gente acho que nao devemos assistir harry portter porque eu assistir todo ate Relíquias da Morte
    parte 1 e fiquei com problemas pisicologicos tive que ir a varios picicologos e tudo indica que foi por causa de harry potter por isso acocelho a quem ta pensando ou ler ou assistir a nao ir mas a escolha e de voses ok ai grasas a deus eu hoje estou bem bjs .

    • Gui

      Pois é Jennifer que bom que procurou um médico, fez o correto,
      porém não podemos generalizar o que aconteceu contigo, dizendo para não assistirem os filmes. Creio que estes filmes são bons para as crianças que assistem na ordem, pois se pode notar um amadurecimento dos personagens.

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